Hum, Páscoa tem cheiro de quê?

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Você tem noção de que dia 31 deste mês já é Páscoa? Isto significa, compras, delícias, família reunida e muita oração, certo? Pelo menos aqui em casa (e na família de onde venho) isto é tradição.
Mas você sabe a origem da Páscoa?

A Páscoa para judeus e cristãos

Claro que se você é cristã desde o berço e frequentou a Escola Dominical deve saber de cor e salteado, mas a primeira celebração da Páscoa ou Pessach (em hebraico, que significa passagem) foi a cerca de 3500 anos quando o Deus enviou as 10 pragas sobre o Egito para que o povo fosse liberto. Antes da décima praga, Moisés instruiu ao povo, segundo a palavra que havia recebido do Senhor, para que sacrificassem um cordeiro e molhassem os umbrais das portas com o sangue deste cordeiro de forma que, ao passar, o anjo da morte não adentrasse aquela casa e assim preservariam os seus primogênitos. O cordeiro deveria ser preparado e comido por toda a família juntamente com ervas amargas e pães ázimos. Como Faraó, temeroso, aceitou liberar o povo, foi instituído o sacrifício do Pessach como lembrança do livramento do Senhor ao povo. ( Êxodo 12)
Foi em uma destas celebrações que iniciou-se a celebração com o significado que conhecemos hoje. Lucas 22 apresenta o relato da preparação e celebração da Páscoa por Jesus e seus discípulos. E foi neste época que o Cordeiro de Deus (Jo 1. 29) se entregou por nós, nos redimindo do pecado e da culpa através do sangue derramado na Cruz. Aleluias. (1 Coríntios 5:7) E esta deve ser a nossa comemoração.

E o chocolate?

Na verdade a celebração da páscoa que vemos hoje, mescla tradições judaicas com pagãs e bem pouco foi adicionado pelos cristãos.

Coelho que põe ovos?

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A festa tradicional associa a imagem do coelho, um símbolo de fertilidade, e ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz solar, dados como presentes. De fato, para entender o significado da Páscoa cristã atual, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar os antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa. Ostera (ou Ostara) é a deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Deméter. Na mitologia romana, é Ceres… Na Páscoa, é comum a prática de pintar ovos cozidos, decorando-os com desenhos e formas abstratas; em grande parte dos países ainda é um costume comum, embora que em outros, os ovos tenham sido substituídos por ovos de chocolate. No entanto, o costume não é citado na Bíblia e portanto, este é uma alusão a antigos rituais pagãos. A primavera, lebres e ovos pintados com runas eram os símbolos da fertilidade e renovação associados a deusa nórdica Gefjun. A lebre (e não o coelho) era o símbolo de Gefjun. Suas sacerdotisas eram ditas capazes de prever o futuro observando as entranhas de uma lebre sacrificada. Claro que a versão “coelhinho da páscoa, que trazes pra mim?” é bem mais comercialmente interessante do que “Lebre de Eostre, o que suas entranhas trazem de sorte para mim?”, que é a versão original desta rima. A lebre de Eostre pode ser vista na Lua cheia e, portanto, era naturalmente associada à Lua e às deusas lunares da fertilidade. Seus cultos pagãos foram absorvidos e misturados pelas comemorações judaico-cristãs, dando início a Páscoa comemorado na maior parte do mundo contemporâneo.
Fonte: Wikipedia
Obviamente, não há referência a ovos ( de coelho ou de chocolate), coelhos e outras associações pascais na Bíblia. Não quero ser radical, mas acredito que vale a pena estudar um pouco as tradições antes de trazê-las para dentro de nossas casas. Talvez o uso do chocolate em formatos que remetam ao significado que a Páscoa tem para nós como cruzes, cordeirinhos, etc.? O que acha?

Quer Opções? Que tal uma Colomba Pascal?

colomba2Encontrei duas histórias lendas diferentes para o surgimento da colomba pascal. Todas elas remetem a uma guerra ocorrida em Pavia (Itália). A primeira, e mais frequente, conta que a cidade estava cercada e um padeiro criou esta receita em forma de pomba (colomba, em italiano e símbolo da paz) para dar de presente ao invasor que ao se deliciar com esta espécie de pão decidiu não continuar com a guerra. A segunda história conta que o invasor pediu 12 virgens das mais belas da cidade como despojo de guerra, uma delas, muito esperta pediu que lhe arrumassem alguns ingredientes e preparou a colomba que conquistou o paladar do invasor que em troca lhe ofereceu a liberdade.
A forma da pomba também é associada ao Espírito Santo.

E comer carne na semana santa, pode?

Na verdade esta é uma tradição católica. Desde pequena ouço alguns antigos falando sobre não comer carne na semana santa ou até durante toda a quaresma por respeito a Jesus Cristo. Andei pesquisando sobre o assunto e encontrei a seguinte explanação no site da Rede Vida:

A Igreja recomenda que, na Sexta-Feira Santa, os fiéis jejuem e se abstenham de carne. O sentido desta tradição leva os você a se unir ao sacrifício de Cristo. Fazemos um sacrifício para nos sentirmos mais unidos a Jesus, que na cruz realizou o sacrifício de sua vida por amor à humanidade e solidariedade aos pecadores. Por que a carne? Porque é um alimento do qual, normalmente, todos comem regularmente. Não seria sacrifício abster-se de uma coisa da qual não gosta. O jejum e a abstinência da carne, além de nos conduzir á união com Jesus em sua experiência de sofrimento, tem ainda dois outros valores relacionados:

1º Revelam a superioridade da pessoa humana sobre as coisas; só podemos renunciar aos alimentos porque somos livres e senhores de nossos impulsos; não somos escravos das coisas.

2º Deixando de comer uma coisa de que gostamos, e ainda sentindo um pouco de fome, lembramo-nos de quem fica sem comer por não ter o necessário para sua subsistência, e nos sentimos impelidos a ajudá-los, repartindo com eles o que Deus nos deu.

A Igreja recomenda, ainda, que em toda sexta-feira do ano o Católico praticante faça uma penitência, que pode ser substituída por uma obra de caridade ou de piedade.

Não vamos julgar a doutrina em si, mas para nós cristão o jejum é uma prática regular e cada um deve julgar a si mesmo quando e porque jejuar.
Chegamos ao fim do post e gostaria da sua opinião sobre as tradições praticadas em sua casa e sobre tudo o que aprendemos hoje. Aguardo os seus comentários e até a próxima.
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